sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uma visão alem da Máscara

Se me permite, contarei minha história:

Acordei sem muitas lembranças. Tinha pelo corpo várias escoriações, e um filete de sangue escorria de minha boca. Não demorou muito para que entendesse no que tinha me tornado.
Mantive meus pés no chão, era um recém nascido vampiro, abandonado por seu criador...
Pelo meu relógio, o sol nasceria em menos de uma hora. Não tendo aonde me esconder, comecei a ficar desesperado. Até encontrar Ele.
Ele tinha a aparência de um senhor de meia idade. Me ofereceu abrigo e treinamento para minha nova vida, com uma condição: eu participar do que ele chamou de "arena".
E agora aqui estou eu, sentindo minha existência esvairir-se rapidamente nas mãos desse gangrel, com seus olhos vermelhos e suas mãos parecendo garras de algum animal...
"Arena". Um lugar que os mais antigos e loucos da Camarilla colocam crias jovens para lutar entre si... E eu, perdido, vim encontrar meu fim aqui...
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"Vai morrer assim, sem mais nem menos?"
Uma voz gritava dentro da cabeça de Júlio.
"Acorde logo seus instintos, seu inútil!"
A Voz ditava o que deveria ser feito. Ditava como encontrar forças no sangue roubado que corria em suas veias. Sussurava palavras de ódio, gritava palavras de comando.
E Júlio obedecia. Seu corpo não mais lhe pertencia, algo mais forte que sua sanidade tinha lhe roubado os movimentos do corpo, e assistiu a si mesmo virar a luta. E, com um horror cada vez maior, olhou impotente seu corpo a sugar o sangue do outro vampiro, sugar sua alma. Algo que, tinha certeza, lhe faria um inimigo em potencial de todos os anciões ali presentes.
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Quando o corpo do gangrel começou a virar pó entre meus braços, minha consciência foi puxada de volta a meu corpo. Estava saciado, mas ao mesmo tempo sentia a alma de minha vítima ser diluida em meu sangue, algo que nunca tinha esperimentado caçando humanos.
Apressei-me a sair da arena e fugir por caminhos que a voz cochichava. Sentia outros vampiros me seguindo, mas logo estavam despistados. Estava sozinho novamente na noite escura. Mas ao mesmo tempo estava com muitos outros. A voz na minha cabeça não era apenas uma, mas muitas.
Passei anos fugindo e aprendendo com as vozes. Hoje sei que não é minha imaginação, é a Teia do meu clã. É a Teia dos Malkavians.
E mais uma coisa, criança. Posso não parecer maluco como a maioria dos Malkavians, mas não deixe que as aparências lhe enganem. Logo logo você também irá enfrentar sua Demência, talvéz até a minha, e descobrirá por que somos tão temidos

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